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Turismo no Brasil: roteiros de praia, serra e cidade histórica para todos os bolsos
O país cabe em muitos tipos de viagem. Um guia de partida para quem quer conhecer litoral, montanha e centros coloniais sem gastar além da conta.
O Brasil é um dos poucos países do mundo onde uma mesma viagem pode incluir praia de água morna, serra com clima de inverno e cidade colonial com ladeiras de pedra. A distância entre esses cenários é grande, mas a variedade é tanta que quase toda região tem os três tipos a poucas horas de estrada. Este guia não aponta "o melhor destino". Aponta caminhos, para cada bolso, em cada paisagem.
Praia: do Nordeste ao Sul
O litoral brasileiro tem milhares de quilômetros, e o clima muda bastante ao longo dele. No Nordeste, a água costuma ser quente o ano inteiro e a estação seca vai de setembro a fevereiro na maior parte do litoral. Destinos como Jericoacoara, Porto de Galinhas, Maragogi e a Chapada Diamantina (que não é praia, mas serve de combinação) recebem turistas de todo o país.
Quem quer gastar menos encontra boas opções nas cidades médias do litoral, longe dos resorts: praias de Alagoas, do litoral sul de Pernambuco, do Rio Grande do Norte e do Piauí têm pousadas familiares, barracas de praia com peixe fresco e transporte local barato. No Sudeste, o litoral norte de São Paulo, a Região dos Lagos no Rio de Janeiro e o sul da Bahia são os mais procurados. No Sul, Florianópolis e o litoral do Paraná têm praias frias no inverno e movimentadas no verão.
A dica mais valiosa para economizar na praia é simples: viajar fora de janeiro, fevereiro e julho. As diárias caem bastante e o lugar fica mais tranquilo.
Serra: frio, fondue e trilha
O brasileiro gosta de frio, talvez justamente por ter pouco. As cidades de serra viraram destino de inverno e lotam entre junho e agosto. Campos do Jordão, em São Paulo, Gramado e Canela, no Rio Grande do Sul, Monte Verde, em Minas Gerais, e Petrópolis, no Rio de Janeiro, são os nomes mais conhecidos.
Para quem prefere natureza e gasto baixo, a opção são os parques e as serras menos badaladas. A Serra da Mantiqueira tem trilhas e cachoeiras em cidades como Gonçalves, Visconde de Mauá e Itamonte. A Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e a Chapada Diamantina, na Bahia, não são serra no sentido clássico, mas oferecem o mesmo pacote de altitude, cachoeira e céu limpo. Hospedagem em pousada simples e refeição em restaurante de comida caseira mantêm o orçamento sob controle.
Em qualquer destino de montanha vale levar agasalho mesmo no verão: a temperatura cai à noite e a diferença entre o dia e a madrugada surpreende quem vem do litoral.
Cidade histórica: pedra, igreja e música
As cidades coloniais brasileiras são aulas de história a céu aberto. Ouro Preto, Mariana, Tiradentes e Diamantina, em Minas Gerais, guardam igrejas barrocas, casarões e ruas de pedra. Paraty, no Rio de Janeiro, combina centro histórico preservado com praia e cachoeira. Olinda, em Pernambuco, e o Pelourinho, em Salvador, misturam patrimônio colonial com música e culinária de rua. São Luís, no Maranhão, tem um dos maiores conjuntos de azulejos portugueses fora de Portugal.
Essas cidades costumam ser as mais acessíveis para quem viaja com pouco dinheiro. O passeio principal, que é andar pelas ruas e entrar nas igrejas, custa pouco ou nada. Muitas têm hospedagem em casarão antigo a preço razoável fora dos feriados, e a comida regional é barata e farta.
Como montar o roteiro
Algumas regras ajudam qualquer viagem pelo Brasil:
- Combine destinos próximos em vez de cruzar o país. A distância entre regiões é enorme e a passagem aérea costuma ser a maior despesa.
- Pesquise a estação. Chuva no Norte, frio na Serra e alta temporada no litoral mudam completamente o custo e a experiência.
- Prefira pousada e hostel em cidade pequena; a relação entre preço e conforto costuma ser melhor que em grandes centros.
- Use o transporte local. Ônibus intermunicipal, van e barco são baratos e fazem parte da viagem.
- Reserve um dia sem programa. As melhores descobertas acontecem sem roteiro.
Viajar pelo próprio país é um jeito de conhecer o Brasil por dentro, descobrir sotaques, comidas e paisagens que não aparecem no cartão-postal. E, com um pouco de planejamento, cabe no bolso de muita gente.